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O Globo Online Noticias del Mundo
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  • Artista belga exige exame de DNA no rei Albert II

    BRUXELAS - A artista Delphine Boël, de 45 anos, iniciou nesta semana uma batalha judicial para tentar provar que é filha do rei belga Albert II, de 79. Além do monarca, o pedido inclui também a realização do teste de paternidade em dois dos seus filhos, o príncipe Philippe e sua irmã Astrid. De acordo com as leis do país, o pedido de Boël pode ser facilmente recusado por Albert enquanto ele for rei. Entretanto, seus filhos não gozam de tal proteção. Delphine quer a realização do exame de DNA sob a alegação de que é fruto da relação amorosa entre o rei e a baronesa Sybille de Selys-Longchamps, no ano de 1960.

    - Estou profundamente triste por chegar a esse ponto, mas acredito que o reconhecimento da paternidade me fará bem - disse Boël ao site Notícias da Flandres. A artista afirmou ainda que pretende manter um relacionamento normal com o rei.

    Na ação, Delphine pede ao tribunal para convocar o rei Albert II, o príncipe herdeiro Philippe, e sua filha, a princesa Astrid, na esperança de, em seguida, exigir dos três amostras de sangue. A primeira audiência foi marcada para o próximo dia 25.

    Delphine se tornou conhecida com a publicação de uma biografia não autorizada da rainha Paola, mulher de Alberto II, em 1999. Embora o monarca nunca tivesse confirmado oficialmente a paternidade da artista, ele reconheceu implicitamente, durante um discurso no mesmo ano, que seu casamento passou por uma “crise”. O livro quebrou o ar de sigilo em torno da família real. Após sua publicação, a imprensa belga passou a seguir os passos de Boël.

    A mãe de Boël se casou com um industrial, Jacques Boël, que levou a família para viver em Londres quando Delphine ainda era uma criança. Depois de frequentar a renomada Chelsea College of Art, a artista voltou para a Bélgica em 2004. Ela geralmente usa sua arte - que é vendida em Londres por até US$ 20.280 - para tentar dar sentido à sua relação com a família real. Em suas obras é possível ver, por exemplo, uma fotomontagem dela com o rei em uma máquina de lavar roupa com as palavras “Seu armário limpo”. Em outro registro é possível ler os dizeres “F*** você, eu existo”.



  • Explosão atinge depósito militar na Síria

    BEIRUTE - A televisão estatal da Síria informou que uma explosão acidental em um depósito militar na periferia da cidade de Latakia, na costa noroeste, deixou seis pessoas levemente feridas.

    A emissora disse que um "erro técnico" causou a explosão nesta quarta-feira em uma unidade de engenheiros militares. O Observatório Sírio para Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, disse que pelo menos 13 soldados ficaram feridos.

    O Observatório disse que fumaça subia do depósito, no extremo sul da cidade. Ativistas de Latakia no Facebook também relataram a chegada de ambulâncias e helicópteros após a explosão.

    A província de Latakia é um reduto do regime, onde a população é predominantemente de membros da seita alauíta do presidente Bashar al-Assad.



  • Afeganistão suspende negociações de pacto de segurança com os EUA

    CABUL - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, decidiu suspender as negociações sobre um pacto de segurança com os Estados Unidos, acusando Washington de emitir mensagens contraditórias sobre o diálogo de paz com os talibãs, informou seu porta-voz nesta quarta-feira.

    - Em uma reunião especial presidida pelo presidente Hamid Karzai, o ele decidiu suspender as negociações sobre um pacto de segurança com os EUA por causa das declarações e ações inconsistentes em relação ao processo de paz - disse o porta-voz Aimal Faizi.

    As negociações sobre o Acordo de Segurança Bilateral (BSA, na sigla em inglês) começaram no início deste ano, e se concluída, vai definir a forma da presença militar dos EUA no Afeganistão para os próximos anos.

    As negociações para viabilizar o diálogo vinham ocorrendo em segredo nos últimos meses com o apoio de países como Qatar, Paquistão e Noruega. Na terça-feira, o anúncio coincidiu com uma cerimônia na qual a Otan transferiu às forças afegãs a segurança dos últimos 95 distritos ainda sob controle internacional, num processo iniciado em 2011 - quando o presidente americano, Barack Obama, anunciou um cronograma de retirada do Afeganistão previsto para ser completado no fim do ano que vem.

    Na Irlanda do Norte, Obama demonstrou cautela, apesar de os EUA terem insistido na importância do diálogo nacional afegão para a estabilidade após a saída das forças internacionais.



  • Talibã assume responsabilidade pela morte de quatro soldados americanos

    CABUL - O Talibã reivindicou nesta quarta-feira a responsabilidade por um ataque no Afeganistão que matou quatro soldados americanos, horas depois do grupo rebelde ter anunciado que manteria negociações com os Estados Unidos para discutir uma solução política para dar fim a quase 12 anos de guerra.

    O porta-voz do Talibã Zabiula Muyahid disse que os combatentes dispararam dois foguetes contra a base aérea de Bagram na terça-feira.

    Autoridades americanas confirmaram que a base foi atacada, presumivelmente por fogo de morteiros ou foguetes, e que quatro soldados americanos morreram.



  • Fugitivo procurado pelo FBI é capturado no México

    CANCUN - Um dos dez fugitivos americanos mais procurados pelo FBI foi preso na cidade turística de Playa del Carmen, informaram autoridades mexicanas nesta terça-feira.

    O procurador do estado de Quintana Roo, Gaspar Armando García Torres, disse que Walter Lee Williams, de 65 anos, é procurado por acusações de exploração sexual infantil e de viajar para o exterior com o propósito de envolver-se em atos sexuais com menores.

    García acrescentou que Williams foi capturado na terça-feira enquanto tomava um café perto de um parque em Playa del Carmen, no Caribe mexicano.

    Uma ordem federal de prisão foi emitida para Williams em Los Angeles em abril, de acordo com o site do FBI.

    O procurador disse não saber quanto tempo o americano esteve em Playa del Carmen.



  • ‘A Turquia se parece mais com Maio de 68 do que com a Primavera Árabe’

    PARIS – Para o analista francês Jean Marcou, especialista em Turquia e diretor do departamento de Relações Internacionais da faculade de Sciences Po de Grenoble, o aumento da repressão do governo surpreendeu e enfraqueceu as manifestações de protesto, mas o movimento não parece em fase de desistência. O cientista político aponta para um movimento de reivindicações por liberdades cívicas de uma população descontente com um governo que procura se perpetuar no poder e impor novas normas de sociedade.

    O GLOBO: Como o senhor vê o movimento de protestos com endurecimento da repressão do governo do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan?

    Jean Marcou: Já sentimos o movimento enfraquecido. Desde do fim da semana passada entrou-se numa fase de repressão do movimento, isto é muito claro. Isto surpreendeu porque no meio da semana Erdogan fez duas reuniões com artistas e representantes do movimento. Tinha-se a impressão de que ele buscava uma solução negociada, porque falou de referendo. Mas não estava muito claro, porque a Constituição turca não autoriza referendo numa situação destas. A destruição do acampamento de ocupação foi suspensa por uma decisão de Justiça, e ele disse que na espera do recurso judicial o governo respeitaria a sentença de primeira instância.

    O problema é que após a segunda reunião, Erdogan deu um ultimato de 24 horas para a desocupação do acampamento, e após apenas algumas horas fez a polícia intervir na praça Taksim, com a destruição de tendas e a expulsão de militantes. Erdogan retomou o controle, e mobilizou dois grandes encontros políticos da AKP (o partido do governo) para limitar os estragos, sob a bandeira do “respeito à vontade nacional”. Há essa ideia de dizer que se trata de uma minoria de agitadores, de vândalos. Ele disse várias vezes que a situação não poderia continuar como estava e que se deveria acabar com a agitação extremista. Disse que eram terroristas e falou mesmo de um complô do exterior. Há hoje uma tendência repressiva. Mas o movimento não parou, vemos novas manifestações e protestos. Um jovem permaneceu seis horas imóvel diante do retrato de Ataturk (o fundador da República turca) na praça Taksim, e outras pessoas se juntaram a ele. E agora várias pessoas se colocam em pé diante de vários símbolos para demonstrar seu protesto. Hoje (terça-feira) houve muitas prisões de pessoas em suas casas, e o ministro do Interior falou de uma regulamentação do uso das redes sociais na Turquia. Mas o movimento continua, com agrupamentos em Ancara, Istambul, Eskisehir. Houve também uma sondagem do instituto Metrópole, em que a maioria dos entrevistados apontaram a evolução do regime turco para um viés mais autoritário e repressivo. Essa pesquisa de opinião coloca também o governo como o responsável pelos incidentes porque administrou mal a situação de contestações.

    O GLOBO: Qual o papel da oposição neste movimento?

    Jean Marcou: Penso que a oposição é pouco representativa deste movimento. E, na minha opinião, por isto eclodiram as manifestações. A oposição não está a altura de seus deveres políticos, e as pessoas quiseram se expressar de outra forma. Há também a ideia de não aceitar um governo que faz das eleições um tipo de ditadura das urnas. As pessoas em geral não se veem representadas pela oposição. Trata-se sobretudo de um movimento cívico.

    Que mudanças o senhor vê as mudnaças na sociedade turca?

    Jean Marcou: Creio que sociedade turca mudou bastante nos últimos 20 anos, principalmente graças a um desenvolvimento fulgurante. Houve uma urbanização muito forte e uma elevação do nível de vida, com uma aparição de novas classes médias. O movimento vem também daí. Ele é bastante diferente dos movimentos da “Primavera Árabe”, que visavam a derrubar ditadores que reinavam há décadas, como (Hosni) Mubarak (Egito), Muamar Kadafi (Líbia) ou (Zine al-Abidine) Ben Ali (Tunísia). Na Turquia, o movimento partiu de uma reividicação cívica. Certamente há contestação do partido no poder, mas o objetivo não é o de derrubar uma ditadura. Falou-se também de um movimento um pouco como o dos “Indignados”, que ocupou Wall Street. Nestes dois movimentos vemos semelhanças: a mobilização pelas redes sociais,a ocupação de lugares simbólicos - a praça Tahir (Egito), a avenida Bourguiba (Tunísia), a praça da Pérola (Bahrein). Mas os objetivos são diferentes. Os indignados se sentem vítimas dos sistema econômico contemporâneo, principalmente de uma capitalismo selvagem, da finança contra os homens. Na Turquia não se trata disso, pois nos últimos anos houve um progresso econômico. É uma demanda por liberdade, por democracia, por ser ouvido. É um pouco uma reflexão sobre o que a sociedade quer, e uma crítica a um governo percebido como cada vez mais conservador, querendo impor um modo de vida oficial. Vejo um movimento talvez mais próximo de Maio de 68 na França, quando se tinha um país em crescimento, mas com uma geração que denunciava a sociedade de consumo e exigia um novo tipo de vida social.

    Qual é a influência atual do islamismo?

    Jean Marcou: Diria que há sobretudo um islamismo que funciona mais como um poder conservador do que como um islamismo militante ou ideológico. É um poder conservador impondo às pessoas modos de vida mais convencionais, de respeito a uma certa moral religiosa nas artes, nos filmes. Erdogan criticou novelas por seu tratamento da História. Há a questão de não beber álcool em alguns lugares, não se beijar em público. As pessoas começaram a se beijar em público como uma forma de protesto. É a religião que vem assegurar uma certa moral social, que também tem seus objetivos políticos.

    Como senhor analisa estes movimentos no contexto das eleições na Turquia no ano que vem?

    Jean Marcou: É verdade que o movimento atual se explica também por essa perspectiva inquietante de um primeiro-ministro e de um partido que são cada vez mais dominadores. As manifestações vieram de uma certa maneira atrapalhar a agenda política do AKP, que passa pelas eleições locais e presidenciais no que vem. Com ou sem uma nova Constituição, haverá eleições presidenciais em 2014. Serão as primeiras deste tipo na história do país. E é muito provável que Erdogan sonhe em ser candidato. E talvez ocorra no meio tempo a elaboração de uma nova Constituição. Na Turquia, o regime presidencial poderá centralizar ainda mais seu poder, e tenho a impressão que o movimento surgiu também em vista deste momento de transição política. O AKP está no poder desde 2002, e respeitou o sistema parlamentar legado pela democratização da República nos anos 1950. Mas hoje Erdogan tenta mudar o sistema para que constitucionalmente possa exercer o poder se tornando presidente. Todo mundo tem direito a ser candidato, mas o que inquieta é que trata-se do mesmo homem que governa há mais de dez anos, e que muitas vezes em seu discurso se projeta no futuro, falando de planos para 2023, um pouco como se ainda estivesse no poder nesta data. E uma das dimensões importantes da democracia é a alternância, e acho que isto preocupa as pessoas. Vemos um tipo de “Putinização”, de evolução à la russa do sistema turco.



  • EUA e Cuba retomam conversas para rever proibição de troca de correspondências

    WASHINGTON — Três anos e meio após a Casa Branca autorizar o afrouxamento histórico de restrições nas relações com Cuba, o governo de Barack Obama começou nesta terça-feira o diálogo com a ilha comandada pelos irmãos Castro para derrubar a proibição para troca direta de correspondências e encomendas entre os dois países, em vigor há 50 anos. O passo faz parte da estratégia diplomática americana de facilitar a comunicação e o fluxo de informações para a população cubana, na tentativa de fomentar movimento democrático que force mudanças no regime. Mas não deve resultar em reaproximação maior no curto prazo.

    As conversas começaram em 2009, quando Obama anunciou o relaxamento das restrições para viagens de cubano-americanos, do envio de presentes e da remessa de recursos à Ilha. Foram autorizados, ainda, acordos entre operadoras de telecomunicações americanas e a estatal cubana do setor.

    Em dezembro daquele ano, porém, Cuba prendeu o americano Alan Gross, acusado de entregar telefones por satélites a cubanos. As negociações foram suspensas - incluindo mudanças nas regras de imigração - e Havana passou a pressionar pela libertação de quatro agentes cubanos que cumprem sentença nos EUA e pela retirada do país da lista negra americana dos Estados que apoiam o terror.

    As reuniões desta semana são as primeiras sobre ações concretas desde então. Elas serão dirigidas pela diretora internacional do serviço postal dos EUA, Lea Emerson, sob supervisão do Departamento de Estado, e pelo principal diplomata de Cuba no país, José Cabañas Rodriguez.

    Mas a diplomacia dos dois países mantém conversas regulares. No início do mês, uma das mais graduadas funcionárias da Chancelaria cubana, Josefina Vidal, se reuniu com a representante dos EUA para as Américas, Roberta Jacobson. Segundo Jacobson, trataram do caso Gross e de “operações de interesse” das representações americana em Havana e cubana em Washington.

    Desde 2009, Raúl Castro promove mudanças no regime, que vão desde a liberação de atividade privada à dispensa do visto de saída do país. O movimento é considerado tímido, mas os EUA veem janelas de oportunidade.

    Uma das principais travas a negociações mais avançadas - incluindo o aumento da lista de exceções ao embargo econômico - é a falta de reciprocidade do governo Castro. Sem isso, o governo Obama avalia ser difícil vender internamente um diálogo mais amplo, diante da ainda numerosa e anticastrista comunidade de exilados cubanos da Flórida.

    Uma amostra da resistência pôde ser vista no anúncio das negociações para serviço postal direto. A deputada republicana pela Flórida Ileana Ros-Lehtinen acusou a Casa Branca de ceder às pressões do regime, enquanto Gross está preso.

    A ala menos radical, porém, vê a iniciativa americana com bons olhos, ainda que a considere pequena. Para Ricardo Herrero, diretor-executivo do Cuba Study Group, organização de exilados, mais favorável seria permitir a exportação e a importação de alguns bens e serviços pelos pequenos empresários que surgiram em Cuba nos últimos anos.

    - Qualquer passo para expandir o fluxo de informação e recursos dos EUA para o povo cubano é um passo na direção correta. Mas (a liberação de serviços postais) ainda é menos do que o objetivo declarado de Obama de buscar uma nova relação com Cuba - afirmou Herrero, em referência ao discurso de Obama na Cúpula das Américas de 2009.



  • Diretor da NSA diz que programa de vigilância ajudou a combater mais de 50 ataques

    WASHINGTON — Durante a primeira audiência no Congresso sobre os programas secretos de vigilância do governo americano - revelados pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden -, o diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA) defendeu que o Prism ajudou a combater mais de 50 possíveis ataques desde o 11 de Setembro, incluindo um contra a Bolsa de Valores de Nova York. E afirmou ainda que Snowden havia causado um dano “irreversível e significativo” à segurança nacional.

    - Creio que prejudicará a nós e a nossos aliados - disse o general Keith Alexander no Congresso.

    Outro caso evitado pelo serviço de espionagem é relativo a uma investigação de lavagem de dinheiro em San Diego para financiar uma milícia somali. Alexander informou ao Congresso que apresentará até quarta-feira detalhes sigilosos sobre 50 casos desse tipo.

    No caso da Bolsa de Nova York, o diretor-adjunto do FBI, Sean Joyce, disse ao Congresso que a NSA monitorou um “conhecido extremista no Iêmen” e, assim, descobriu que ele estava em contato com Khalid Ouazzani, um vendedor de peças de automóveis em Kansas City. Joyce não citou datas, mas registros judiciais indicam que os fatos ocorreram entre 2008 e 2010.

    Com a informação, o FBI obteve um mandado judicial especial que lhe permitiu “detectar um nascente complô de atentado a bomba contra a Bolsa de Valores de Nova York”. Joyce acrescentou que Ouazzani havia fornecido informações e apoio a esse complô, mas não citou outros detalhes.

    Duas fontes oficiais disseram que a informação levou à prisão, em 2010, de um funcionário da Bolsa, Sabirhan Hasanoff, que confessou ter prestado auxílio material à Al-qaeda com relação a esse plano.

    Até agora, porém, os deputados não se demonstraram interessados em reformar o sistema. Além de afirmar a importância do programa de vigilância da NSA, a comissão mostrou preocupação em como evitar novos vazamentos. O republicano Mike Roger reforçou sua confiança em Alexander e reclamou da opinião pública que acha que a agência está fazendo “algo de errado”.

    Em entrevista a um programa de TV, Obama anunciou a intenção de se reunir com um conselho de supervisão de privacidade e liberdades civis para estudar formas de equilibrar as necessidades de vigilância com o direito à privacidade. Ele rejeitou comparações com o ex-presidente George W. Bush e disse que importantes mudanças foram feitas no programa, como a supervisão pelo Congresso e pelo Judiciário.

    Pai pede que Snowden volte para casa

    Nesta terça-feira, o pai do ex-técnico fez um apelo emocionado ao filho para que não divulgasse segredos que possam constituir traição e pediu a ele que volte para casa e enfrente as acusações. No mesmo dia, a Islândia recebeu uma abordagem informal de um intermediário afirmando que Snowden quer buscar asilo no país. O ex-funcionário da CIA trabalhava atualmente na Booz Allen Hamilton, empresa que prestava serviço em uma unidade da NSA no Havaí.

    A revelação dos programas pelos jornais “Washington Post” e “The Guardian” desatou um escândalo político sobre o equilíbrio entre os direitos de privacidade e a proteção da segurança nacional. O presidente Barack Obama e os líderes do Congresso de ambos partidos apoiaram as operações.



  • Presidente de Israel defende a criação de um Estado palestino independente

    WASHINGTON — O presidente israelense, Shimon Peres, apelou para a criação de um Estado palestino independente, em uma entrevista exclusiva para a rede americana CNBC nesta terça-feira. Prestes a completar 90 anos em agosto, o presidente mais velho em exercício acrescentou que as barreiras para o processo de paz são mais psicológicas do que reais.

    - Temos de permitir que os palestinos tenham um Estado próprio independente, e vivam como vizinhos, não como inimigos. Acho que nossos maiores problemas são ceticismo e a crença de que a paz é impossível. Para ter paz, temos de superar esse problema - afirmou à rede CNBC.

    Peres, no entanto, se recusou a admitir que Israel deva gastar menos com defesa, apesar dos apelos de Stanley Fischer, governador do Banco de Israel, que busca combater o crescente déficit orçamentário do país.

    - Em Israel, quando você tem um governo, os diferentes setores gastam de acordo com as suas necessidades. E há uma necessidade que é desproporcional: a segurança. Os gastos com segurança não são proporcionais ao tamanho de seu país, mas ao tamanho de seus perigos. Nossa perigos são maiores do que em outros países, por isso, o que temos que fazer é reduzir os riscos.

    Peres faz 90 anos só em agosto, mas uma festa nesta terça-feira - que será transmitida por todos os canais de TV e de rádio locais - dará o pontapé inicial da 5ª Conferência do Presidente, um congresso que acontece anualmente em Jerusalém e que este ano tem como tema “Enfrentando o Futuro”. No entanto, para muitos, mais do que o futuro mundial, é o futuro de Peres que estará em foco.

    O evento está sendo visto como o começo do fim de seu mandato - e talvez de sua vida pública. O político mais famosos e veterano do país ocupa o posto desde julho de 2007 e, como o mandato é de sete anos, fica no cargo até julho de 2014. Os israelenses se perguntam se, finalmente, Peres decidirá aproveitar a aposentadoria para descansar depois de mais de 65 anos de ativismo político. O colunista do jornal “Haaretz” Anshel Pfeffer conta que desde que foi criado, o posto de presidente serviu de último refúgio para políticos no ostracismo, mas não no caso de Peres.



  • Corte Suprema derruba reforma do Judiciário proposta por Cristina

    BUENOS AIRES - Num revés para a presidente Cristina Kirchner, a Corte Suprema de Justiça da Argentina declarou inconstitucionais os artigos centrais da lei 26.855, aprovada recentemente pelo Congresso. A legislação estabelece novas regras para o funcionamento do Conselho da Magistratura, sendo considerada um dos pilares de uma questionada reforma do Judiciário empreendida pela Casa Rosada.

    Há uma semana, a lei fora considerada inconstitucional pela juíza Maria Servini de Cubria, e nesta terça-feira a Corte ratificou sua resolução, apesar das pressões. Na véspera, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos membros mais poderosos do gabinete, assegurara confiar “em plenitude que será respeitado o que foi votado pelo Congresso da Nação”.

    Para um setor cada vez mais amplo do kirchnerismo, o governo é vítima de uma conspiração política e judicial. Nas palavras do deputado ultraK Carlos Kunkel, de “uma nova forma de golpismo”. Mas as acusações do governo e seus aliados não intimidaram a Corte, que se opôs, por seis votos contra apenas um, à lei apresentada pela bancada kirchnerista e aprovada por estreita margem de votos na Câmara.

    A nova norma, agora suspensa, eleva de 13 para 19 os membros do conselho, órgão encarregado de designar e julgar a atuação dos juízes de todo o país. A lei também estabelece, pela primeira vez na História, a eleição dos novos membros do conselho através de eleições populares, junto com candidatos à Câmara e ao Senado de partidos políticos.

    A iniciativa foi repudiada pela maioria das associações de juristas da Argentina, que acusaram a Casa Rosada de tentar politizar o Judiciário e, sobretudo, ampliar seus poderes.

    - Esta é uma das sentenças mais importantes da corte desde a redemocratização do país. A sentença é uma defesa da independência judicial - disse o jurista Andrés Gil Domínguez.

    Os membros da Corte Suprema consideraram que “a lei contraria a imparcialidade do juiz frente às partes de um processo e de toda a cidadania, já que lhe exige identificar-se com um partido político enquanto cumpre a função de administrar a Justiça. Desaparece a ideia de neutralidade judicial frente aos poderes políticos.

    O Conselho continua funcionando segundo a regra antiga: 13 membros, designados por seus pares. Sua reforma era considerada crucial para a Casa Rosada, em momentos de forte tensão entre Executivo e Judiciário.

    Nesta terça-feira, a presidente não falou sobre a decisão judicial, mas sobre a de uma câmara federal que fechou um caso sobre a propriedade de um grande centro de exposições, que continuará em mãos da Sociedade Rural Argentina (SRA), atualmente à frente de uma nova paralisação de produtores rurais contra medidas do governo. “Como que ninguém fez nada? Faltava mais. Para que estão alguns juízes?”, perguntou Cristina no Twitter.

    Os soldados mais combativos da tropa kirchnerista no Parlamento revelaram disposição em recorrer da decisão em tribunais internacionais.

    - Espero que esta corte de prestigiosos juristas demonstre ser patriota - declarou, na segunda-feira, a deputada Diana Conti, uma das autoras dos seis projetos de lei da reforma judicial.

    Mudança após caso Clarín

    Já o ex-chefe de gabinete e atual senador K, Aníbal Fernández, afirmou que a Justiça “está se metendo onde não deve”.

    A maioria dos membros da Corte Suprema foi designada após a eleição de Néstor Kirchner, em 2003. Até o ano passado, os magistrados eram elogiados pelo governo. Os conflitos surgiram em meio à disputa da Casa Rosada com o grupo Clarín, cuja definição também está nas mãos do máximo tribunal.

    - Estamos muito satisfeitos. Se esta lei tivesse sido confirmada, estaríamos nos transformando na Venezuela - disse Alejandro Fargossi, atual membro do Conselho da Magistratura.



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